Algumas pessoas, na infância, tiveram a
oportunidade de brincar de caça ao tesouro, assim como eu e meus primos. Quando
brincávamos, fingíamos ter um mapa que nos levaria a um tesouro escondido. Daí, pegávamos algumas ferramentas e começávamos a “escavar”. Com certeza, para
minha felicidade e a de meus primos e para que nossa brincadeira tivesse sentido,
sempre encontrávamos aquilo que estávamos procurando. E se eu dissesse que não
eu ou meus primos, mas que Maurizio
Seracini encontrou um tesouro perdido de verdade?
Maurizio Seracini é um professor de
engenharia e encontrou uma das maiores pinturas de Leonardo Da Vince. A obra
estava escondida no interior de uma parede na sede da prefeitura de Florença,
Itália. Trata-se da pintura "A Batalha de Anghiari", a
maior pintura, em extensão, que Da Vinci já realizou em sua vida. A largura do
mural, por exemplo, é três vezes maior que o da "A Última Ceia".
O “mapa” de Seracini foi o que parecia ser uma pista deixada por um artista do
século XVI, o qual falava sobre o trabalho de Da Vinci. E suas ferramentas eram
lasers, radares, luz ultravioleta e
câmeras infravermelhas para ajudar a encontrar tão grandiosa obra.
Assim como eu precisava da ajuda de meus
primos para encontrar o “tesouro” perdido. Seracini também precisou de auxílio de
terceiros. Ele liderou uma equipe internacional de cientistas que resultou no
mapeamento de cada milímetro da parede e da sala que esta delimitava com ajuda
de novas tecnologias. Assim que
conseguiram identificar o possível esconderijo, os pesquisadores desenvolveram
aparelhos que detectavam a pintura por meio do disparo de feixes de nêutrons
contra a parede. Com o uso de
imagens em infravermelho e com o uso de laser para mapear a sala, a equipe de
Seracini descobriu onde ficavam as portas e janelas.
Maurizio Seracini já estava nessa procura
desde os anos 70, mas como a tecnologia da época não lhe permitiu obter
resposta clara, ele levou sua carreira adiante e veio a conquistar a fama por
conta de análises científicas de outras
obras de arte. Em 2000, ele voltou a Florença e à Câmara dos 500, equipado com
novas tecnologias e com o apoio de um novo patrono, Loel Guinness, um filantropo
britânico. Depois de tanta espera, finalmente, em 2009, a pintura foi
descoberta. Em vista disso, com o êxito em sua inesgotável busca, não é difícil
perceber como a tecnologia tem auxiliado a arte.
| A pintura "A Batalha de Anghiari", estava escondida dentro da parede no Palazzo Vecchi, a chamada Câmara dos 500 Foto: The New York Times |
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Por Rosana Diniz Dias
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